Catorze tiros são disparados pelo bando, e cabe a um dos bandidos, um adolescente, dar o tiro de misericórdia. Ele treme. Desacostumado a matar, o menino vacila tempo o suficiente para que o policial veja não só o seu rosto, mas o de todos os seus comparsas. Não há alternativa, aquele jovem deve cumprir o plano arquitetado por ele, por seu irmão Clodomir e por outros jovens responsáveis pelo tráfico naquela região.
O rapaz fecha os olhos, vira a cabeça e atira. O policial sente seu pescoço se aquecer com o sangue quente que lhe escapa das veias pelo décimo-quinto buraco aberto em seu corpo. Tudo está acabado.
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Sentado no portão de sua casa, numa manhã de sábado de sol escaldante, aos 17 anos de idade, Clodomir, o irmão daquele adolescente, decide que dali para frente a sua vida será matar ou morrer. Relembra a primeira prisão. Pouco tempo depois foi pego uma segunda vez, mas também conseguiu se livrar, por ser menor de idade. A mãe chorava dia e noite implorando ao filho que saísse daquela vida, mas já parecia impossível.
Ele pensa na cirrose que tirou a vida de seu pai, em seu futuro incerto e na morte do irmão. Sim, o irmão de Clodomir não conseguiu matar aquele policial, naquela madrugada, e acabou sendo assassinado. Como nunca havia matado antes, ele fechou os olhos para atirar e acertou o pescoço da vítima em vez de a cabeça, que era o alvo. O policial livrou-se da morte. Mais tarde, contou ao filho o que havia acontecido e a vingança veio, 2 anos depois, em cinco tiros, que encerraram o destino do rapaz.
Infância e juventude perdidas
Clodomir dos Santos Matos nasceu em 6 de outubro de 1966 na periferia do Rio de Janeiro. Com uma família desestruturada, onde o pai era um bicheiro viciado em drogas e a mãe quase não conseguia sustentar os sete filhos, o menino conheceu cedo o desprazer da miséria.
Depois de ganhar na loteria e perder tudo para seus vícios, o pai dele levou a família para um barraco sem água nem luz elétrica. Ali instalou todos os filhos, incluindo Janaina, que nasceu com retardamento motor e viveu impossibilitada de falar ou andar até os 12 anos de idade, quando faleceu.
As irmãs de Clodomir engravidaram na adolescência. O pai pouco ou nada ajudava, e era preciso levar comida para dentro de casa. Com isso em mente, Clodomir e seu irmão entraram para o crime.
Aos 12 anos de idade ele já cheirava cocaína. Impulsionado pelo prazer imediato das drogas e pela necessidade de sustentar sua família, passou logo de dependente a traficante. Migrou dos pequenos furtos aos assaltos a mão armada e iniciou seu próprio negócio: uma “boca de fumo” no bairro Honório Gurgel, na zona norte do Rio.
A “Mão Branca” pega Clodomir
“Mão Branca” foi um grupo de extermínio que existiu dentro da Polícia Militar do Rio de Janeiro entre as décadas de 1970 e 1980. Eles não prendiam, matavam.
Clodomir foi pego com um cúmplice em sua “boca de fumo” por policiais à paisana. Havia drogas escondidas ali perto, mas os policiais não encontraram. Mesmo assim, os dois adolescentes foram algemados e jogados dentro do carro.
“Vocês vão morrer hoje”, repetiam os policiais. Os dois estavam tão certos de seu destino que demoraram a entender quando foram tirados do carro.
Eles não estavam em um lugar deserto, mas sim cercados por policiais militares devidamente fardados, que evitaram o extermínio de mais dois bandidos. Menores de idade, foram levados até a delegacia e liberados pouco depois.
“Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração”
O que estava escrito em “Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios”, de autoria do bispo Edir Macedo, correu por seu sangue, despertando nele a ânsia pela mudança. “Eu comecei a ler, passei mal e, naquele dia, decidi ir para a Igreja. Nunca mais saí”, conta ele.
A vontade de mostrar a todos o que tinha descoberto era tão grande, que Clodomir tornou-se fiel na vida com Deus imediatamente.
“Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-Se, e grande em benignidade, e Se arrepende do mal.” Joel 2.12,13
Essas foram as palavras que tocaram o rapaz.
Não foi fácil, mas ele confiou em Deus. Aos poucos, conseguiu se livrar das más companhias. Encontrou um emprego de verdade em uma pequena fábrica e traçou um caminho reto em sua vida: de casa para o trabalho, do trabalho para a igreja e da igreja para casa novamente.
O Verdadeiro Poder
Hoje, 30 anos após segurar aquele livro nas mãos pela primeira vez, Clodomir Santos é um dos bispos mais respeitados da Universal. Entre reuniões e gravações de programas de rádio e tevê, dedica seu tempo a mostrar como a vida de uma pessoa pode ser transformada.
Ao receber a equipe do Universal.org no terceiro andar do templo da Universal em Santo Amaro (zona sul da capital paulista), ele tem a segurança de quem venceu o mundo para responder sobre Deus:
Não tenha dúvida! Normalmente a gente costuma dizer que para buscar a Deus, a pessoa precisa chegar ao fundo do poço. Enquanto ela está caindo no poço, ainda tem as paredes para tentar segurar. É o que está acontecendo com muita gente. A pessoa ainda tem uma falsa esperança, uma esperança ilusória, enganosa. Mas quando ela chega ao fundo do poço, só tem o alto para olhar. Nesse momento, só ela sendo muito orgulhosa para não reconhecer que só quem pode tirá-la de lá é Deus. O socorro vem do Alto.
Que mensagem o senhor tem para quem não acredita mais em nada?
Jesus disse a um homem: “... Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado...?” (Lucas 12.20) A maioria das pessoas se prepara para tudo, menos para a morte. E a preparação para a morte é a preparação para a vida. Diante de Deus é assim. O ser humano pensa que é um corpo, mas ele não é um corpo, é uma alma. Essa alma é eterna. E isso se decide aqui, na presença de quem você vai viver enquanto estiver neste mundo, porque se você morrer na presença de Deus, a sua alma vai para a presença de Deus. A gente não tem mais 20, 30 ou 50 anos para viver, e sim uma eternidade.
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